Pneumologista alerta para cuidados com saúde em tempos mais frios e úmidos

Inverno chegou e com ele algumas doenças características da estação costumam acometer pessoas; saiba com se cuidar e evitá-las

Durante o inverno, que começou dia 21 de junho, é comum o aumento no número de casos de doenças respiratórias. Crianças, idosos, portadores de doenças pulmonares, cardiopatas e imunocomprometidos são os mais afetados.

As baixas temperaturas e o tempo seco chegam mais cedo. O clima frio e com menos umidade costuma ser sentido em maio e se estende até o mês de agosto. Essas duas características desta época do ano são alguns dos fatores principais para o surgimento ou o agravamento das doenças respiratórias, muito recorrentes neste período.

Todo cuidado é sempre bem-vindo nessa época de tempo frio e úmido – Arte: Nicolas Pedrosa

Embora todo mundo esteja sujeito aos efeitos deste período, são os idosos que fazem parte de um grupo ainda mais delicado, pois estão propensos ao surgimento ou mesmo a piora do quadro de doenças respiratórias. De modo geral, essas estão associadas à maior prevalência de problemas crônicos, como cardíacos, o diabetes, o enfisema pulmonar e a bronquite.

As crianças também são incluídas no grupo de risco, principalmente até os quatro anos, uma vez que nessa fase, o sistema imunológico dos pequenos ainda está em desenvolvimento.

Sobre isso, a pneumologista Teresa de Carvalho, da Caixa de Saúde e Pecúlio, para falar um pouco sobre as doenças mais comuns e cuidados nessa época do ano.

Vários fatores são responsáveis pelo aumento da incidência de casos de doenças respiratórias nesta época do ano. “Infecções virais mais frequentes, aumento da poluição ambiental e constantes e bruscas mudanças na temperatura”, afirma Teresa.

Durante o período de frio, os vírus respiratórios como o Influenza (responsável pela gripe), o vírus sincicial respiratório (principal agente das bronquiolites) e o rinovírus (um dos vírus causadores do resfriado comum) resistem por mais tempo e ficam ainda mais transmissíveis.

“Os mecanismos de defesa naturais do sistema respiratório ficam menos eficientes em razão dos efeitos causados pelas baixas temperaturas e pelo clima seco. O muco, que é produzido pelo organismo para proteger as vias aéreas, tem sua produção reduzida, e assim o transporte pelos tubos é dificultado”, exemplifica Teresa.

A temperatura média do corpo é de 37 graus; e, nos dias mais gelados, a vasoconstrição se dá para manter o organismo aquecido. Por sua vez, a respiração sofre com a perda de água e de calor.

Quais são os efeitos das baixas temperaturas?

Em virtude dos fatores citados, o corpo acaba sofrendo com uma piora do sistema respiratório, o que faz com que as doenças respiratórias se proliferem com mais facilidade.

O clima e suas oscilações

Atenção as mudanças bruscas no clima, que afeta muito o sistema imunológico – Imagem: internet

“Além do clima frio, as oscilações bruscas de temperatura são responsáveis pelo aumento do risco das doenças. O organismo fica mais propenso a ser afetado por alergias respiratórias, uma vez que as baixas temperaturas e o tempo seco apresentam alta concentração de poluentes na atmosfera”, inicia Teresa.

Redução dos mecanismos de defesa

“Neste período, o organismo sofre com uma redução de seus mecanismos de defesa. Dessa forma, o corpo humano fica mais propício ao surgimento ou ao agravamento de doenças respiratórias virais (como gripes e resfriados) ou alergias (tal qual asma, bronquite, otite, rinite e/ou sinusite)”, complementa ela.

O risco de ambientes climatizados

O vento frio do ar-condicionado em ambientes climatizados pode ser prejudicial à saúde. Ele tende a paralisar os pêlos que revestem as paredes do nosso sistema respiratório.

A função desses pêlos é evitar a entrada de impurezas no organismo por meio das vias aéreas. Com essa proteção afetada, fungos, bactérias e vírus encontram facilidade para entrar no organismo e provocar doenças alérgicas ou infecciosas.

Aglomerações

As aglomerações se tornaram assunto recorrente por causa da pandemia do novo coronavirus. É comum que as pessoas fiquem mais aglomeradas e permaneçam mais próximas em ambientes fechados durante o inverno. Isso facilita a contaminação.

Dicas de prevenção

O que fazer:

– Mantenha as mãos bem lavadas e evite levá-las aos olhos, a boca e ao nariz;

– Proteja a boca ao tossir ou espirrar;

– Mantenha-se hidratado, bebendo bastante água;

– Cuide da limpeza de casa, evitando o acúmulo de poeira (utilize pano úmido e evite o uso de vassoura ou espanador, já que eles espalham a poeira);

– Faça a lavagem nasal utilizando solução fisiológica para evitar a irritação;

– Procure manter o ambiente arejado e, nos dias ensolarados, tente renovar o ar de casa. Isso porque bactérias e vírus se concentram em locais fechados;

– Utilize vaporizador, umidificados, recipientes com água ou toalhas úmidas para evitar os problemas causados pelo tempo seco;

– Procure manter a respiração sempre pelo nariz, e não pela boca. Como dito anteriormente, as narinas têm a função de filtrar o ar e aquecê-lo;

– Roupas de cama e vestuário guardados por muito tempo devem ser lavados e colocados para secar ao sol;

– Mantenha uma alimentação balanceada. Frutas são essenciais, principalmente as que contêm vitamina C (a laranja, por exemplo). Elas ajudam na prevenção contra gripes e resfriados;

– Banhos devem ser rápidos e em temperaturas amenas.

O que não fazer:

– Evite ambientes fechados e sem ventilação;

– Evite se expor ao frio e utilize roupas e agasalhos adequados ao ar livre ou em salas frias (como cinemas, por exemplo);

– Não compartilhe objetos pessoais;

– Evite fumar ou se expor a ambientes com muita poeira e fumaça;

– Evite manter contato com pessoas gripadas ou com resfriados. Essas doenças são adquiridas pelo ar;

– Mantenha-se distante de bichos de pelúcia, tapetes ou produtos com pelos, se você tem problemas respiratórios como bronquite, asma e sinusite.

É importante destacar que os sintomas de algumas doenças citadas anteriormente são bem parecidos com as alterações causadas pela infecção pelo coronavirus. Se você precisar, procure um atendimento médico. O profissional de saúde avalia caso a caso, e, se houver suspeita de Covid-19, o exame será solicitado.

Sinais de alerta

É importante se atentar a alguns sinais de alerta. Procure atendimento médico se você apresentar sintomas como:

  • Piora no quadro, com falta de ar e dificuldade para respirar;
  • Febre persistente e de difícil controle, mesmo com medicamento, associada à piora do quadro geral.

Categories: